O estudo das sombras em Geometria Descritiva baseia-se na representação rigorosa dos efeitos da luz sobre os objetos. Uma fonte luminosa emite raios luminosos que incidem sobre os corpos, originando zonas iluminadas e zonas em sombra. Quando um raio de luz atinge um ponto de um objeto e continua o seu percurso até intersectar um plano de projeção, forma-se a sombra desse ponto. Assim, distingue-se entre raio de luz (antes do ponto) e raio de sombra (após o ponto), sendo a interseção com o plano a representação da sombra projetada.
Podem distinguir-se três tipos principais de sombra: a sombra própria, a sombra projetada e a sombra espacial. A sombra própria corresponde à parte do objeto que não recebe luz direta. A sombra projetada é a que se forma nos planos de projeção e resulta da interseção dos raios de sombra com esses planos. Já a sombra espacial corresponde à região do espaço compreendida entre a linha separatriz de luz e sombra e a sombra projetada.
A projeção das sombras depende da posição da fonte luminosa. Quando a fonte se encontra a uma distância finita, os raios luminosos são divergentes, originando uma projeção cónica. Quando a fonte está a uma distância infinita, os raios são paralelos, originando uma projeção cilíndrica. Em Geometria Descritiva, utiliza-se habitualmente uma direção luminosa convencional com raios paralelos.
A linha separatriz de luz e sombra é a linha que divide a zona iluminada da zona em sombra de um objeto. Esta linha é geralmente formada pelas arestas do sólido onde ocorre a mudança entre faces iluminadas e faces não iluminadas. A sua determinação é fundamental para compreender a distribuição das sombras no objeto.
A direção luminosa convencional corresponde a uma direção fixa utilizada na resolução de exercícios. Esta direção é definida pela diagonal de um cubo, sendo que as suas projeções fazem ângulos de 45° com o eixo x. Os raios luminosos apresentam um sentido descendente e da esquerda para a direita, garantindo uniformidade na representação das sombras.
A sombra real corresponde à primeira interseção do raio de sombra com um plano de projeção, sendo esta a sombra efetivamente visível e representada no desenho. Por outro lado, a sombra virtual resulta das interseções do mesmo raio de sombra com outros planos de projeção após a formação da sombra real. Embora não corresponda a uma sombra visível, a sombra virtual desempenha um papel importante como elemento auxiliar na construção geométrica, facilitando a determinação correta das sombras reais.Neste contexto, o ponto Ps representa a sombra real de um ponto P, correspondendo à interseção do raio de sombra com o primeiro plano de projeção que este encontra. Este ponto traduz, assim, a posição da sombra visível. Por sua vez, o ponto Pv representa a sombra virtual do ponto P, resultando da interseção do mesmo raio de sombra com outros planos de projeção após a formação da sombra real. Embora não seja visível na realidade, o ponto Pv é frequentemente utilizado como elemento auxiliar, permitindo determinar com maior rigor a posição da sombra real.
A determinação da sombra de um ponto é realizada através do traçado do raio luz/sombra que passa por esse ponto, identificando-se, em seguida, as suas interseções com os planos de projeção. A posição da sombra real depende da relação entre a cota e o afastamento do ponto, podendo situar-se no plano frontal ou no plano horizontal. Em situações particulares, como quando o ponto pertence a um dos planos de projeção ou ao bissetor dos diedros, a sombra pode coincidir com o próprio ponto ou localizar-se no eixo x.
A sombra de um segmento de reta é obtida a partir das sombras dos seus extremos. Após determinar a sombra de cada um dos pontos extremos, estes são unidos, definindo a sombra do segmento. Quando as sombras pertencem ao mesmo plano de projeção, a construção é direta. No entanto, quando pertencem a planos diferentes, surge um ponto de quebra no eixo x, que divide a sombra em dois segmentos distintos, cada um situado no respetivo plano de projeção.
Quando um segmento de reta é paralelo a um plano de projeção, a sua sombra nesse plano apresenta-se paralela ao segmento original e com igual comprimento. No caso de segmentos ortogonais aos planos de projeção, a orientação da sombra depende da direção luminosa adotada, podendo assumir direções características, como formando um ângulo de 45° com o eixo x ou sendo perpendicular a este, conforme a sua posição no espaço.
A sombra de uma reta é determinada a partir das sombras de dois dos seus pontos distintos. Geometricamente, esta corresponde à interseção entre o plano definido pelos raios luz/sombra da reta e o plano de projeção. A sombra pode localizar-se num único plano de projeção ou distribuir-se por ambos, dependendo da posição relativa da reta no espaço.
Nas figuras planas, a análise das sombras envolve a distinção entre sombra própria e sombra projetada. A sombra própria corresponde à zona da figura que não recebe luz direta, sendo delimitada pela linha separatriz luz/sombra. Já a sombra projetada resulta da interseção dos raios de sombra com os planos de projeção, constituindo a representação da figura nesses planos. A sua determinação baseia-se nos mesmos princípios aplicados às sombras de pontos e segmentos, sendo essencial identificar corretamente as zonas visíveis e invisíveis, bem como a continuidade das linhas que definem a figura.
A sombra de um polígono é construída a partir das sombras dos seus vértices, que são posteriormente ligados entre si para formar os lados da sombra projetada. Este processo exige rigor na ordem de ligação dos pontos, de modo a preservar a forma da figura. Em situações mais complexas, nomeadamente quando os lados atravessam diferentes planos de projeção, pode ser necessário recorrer à sombra virtual de um ou mais vértices, permitindo assim completar corretamente a construção e garantir a continuidade da figura.
Os polígonos contidos em planos horizontais são paralelos ao plano horizontal de projeção. Nesta situação, a sua projeção horizontal apresenta a verdadeira grandeza da figura, enquanto a projeção frontal surge reduzida a uma linha. Relativamente às sombras, a sombra projetada no plano horizontal mantém a mesma forma e dimensão do polígono, não sofrendo deformações. Já a sombra no plano frontal apresenta-se deformada, podendo assumir a forma de um segmento ou de uma figura reduzida, dependendo da posição do polígono relativamente à direção luminosa.
Os polígonos situados em planos frontais são paralelos ao plano frontal de projeção. Assim, a projeção frontal mostra a verdadeira forma e dimensão da figura, enquanto a projeção horizontal aparece reduzida. A sombra projetada no plano frontal mantém a forma original do polígono, sendo uma construção direta. No entanto, a sombra no plano horizontal sofre deformação, podendo assumir formas alteradas ou distribuir-se parcialmente nesse plano, dependendo da inclinação da direção luminosa.
Os polígonos em plano de topo são perpendiculares ao plano frontal e paralelos ao plano horizontal, apresentando-se em verdadeira grandeza na projeção horizontal. A sua projeção frontal reduz-se geralmente a um segmento de reta. No que diz respeito às sombras, a sombra projetada no plano horizontal mantém a forma e dimensão da figura original, enquanto a sombra no plano frontal pode surgir deformada ou reduzida, dependendo da posição da figura relativamente à direção luminosa.
Os polígonos contidos em planos verticais são perpendiculares ao plano horizontal e podem apresentar diferentes inclinações relativamente ao plano frontal. Nestes casos, a figura não se encontra em verdadeira grandeza em nenhuma das projeções principais. A determinação das sombras exige a construção das sombras dos vértices e a sua correta ligação, sendo frequente a distribuição da sombra pelos dois planos de projeção. A existência de pontos de quebra e a necessidade de recorrer a sombras virtuais tornam estes casos mais complexos.
Os polígonos contidos em planos de perfil encontram-se paralelos ao plano de perfil e perpendiculares aos planos horizontal e frontal. Nesta situação, as projeções do polígono apresentam-se alinhadas verticalmente, o que dificulta a perceção direta da sua forma. Para determinar corretamente a sombra, é frequentemente necessário recorrer a métodos auxiliares, como o rebatimento do plano de perfil, permitindo visualizar a verdadeira grandeza da figura. Após essa etapa, determinam-se as sombras dos vértices e constrói-se a sombra do polígono. Devido à posição do plano, a sombra tende a distribuir-se pelos dois planos de projeção, sendo comum a formação de elipses ou deformações significativas nos contornos.
Quando o polígono pertence a um plano oblíquo relativamente aos planos de projeção, a construção da sombra torna-se mais complexa. Nestes casos, é necessário recorrer a métodos auxiliares, como o rebatimento do plano, para obter a verdadeira grandeza da figura. Após determinar a posição real dos vértices, procede-se à construção das respetivas sombras. A utilização de sombras virtuais e a identificação de direções paralelas são estratégias fundamentais que permitem simplificar o processo e evitar erros na representação final.
Os polígonos contidos em planos de rampa apresentam uma inclinação em relação aos planos de projeção, não sendo paralelos nem perpendiculares a estes. Como consequência, as suas sombras sofrem deformações, não mantendo a forma nem as dimensões originais. A determinação da sombra exige a construção das sombras dos vértices e posterior união dos mesmos, sendo fundamental respeitar a ordem do polígono. Devido à inclinação do plano, é frequente a sombra distribuir-se por mais do que um plano de projeção, originando pontos de quebra no eixo x. Nestes casos, a utilização de sombras virtuais e a identificação de alinhamentos e paralelismos tornam-se essenciais para garantir a correção da construção.
Os polígonos situados em planos passantes são aqueles cujos planos contêm o eixo x, intersectando simultaneamente os planos horizontal e frontal. Esta posição particular faz com que partes da figura estejam em contacto direto com ambos os planos de projeção. Na determinação das sombras, é comum que alguns vértices já pertençam ao eixo x, simplificando parcialmente a construção. No entanto, a sombra do polígono pode desenvolver-se nos dois planos de projeção, sendo necessário identificar corretamente os pontos de quebra e garantir a continuidade da figura entre os planos. A análise da visibilidade e da posição relativa dos vértices é fundamental nestes casos.
A forma da sombra de um círculo depende da sua orientação relativamente aos planos de projeção. Quando o círculo se encontra num plano paralelo a um plano de projeção, a sua sombra mantém a forma circular e o mesmo raio. No entanto, quando o círculo está inclinado em relação ao plano, a sua sombra deixa de ser uma circunferência e passa a ser uma elipse, resultante da projeção oblíqua da figura. Esta transformação é um dos aspetos mais importantes no estudo das sombras de formas curvas.
A construção da sombra de um círculo é geralmente realizada com o auxílio de uma figura auxiliar, como um quadrado que circunscreve a circunferência. Este método permite identificar pontos notáveis, como os vértices do quadrado e os pontos médios dos lados. Determinando as sombras desses pontos, é possível obter um conjunto de pontos pertencentes à sombra do círculo. A ligação suave destes pontos permite desenhar a elipse que representa a sombra projetada, garantindo maior precisão e rigor na construção.
Em determinadas situações, o círculo projeta sombra simultaneamente em dois planos de projeção. Nestes casos, a sombra é composta por duas partes distintas: uma parte circular e uma parte elíptica. Estas duas partes ligam-se ao longo do eixo x, onde ocorrem os chamados pontos de quebra. Estes pontos correspondem às interseções do raio de sombra com o eixo x e marcam a transição da sombra entre os dois planos.
Quando o círculo se encontra num plano de perfil, a sua sombra apresenta maior complexidade, sendo geralmente constituída por elipses em ambos os planos de projeção. Para a sua determinação, é necessário recorrer a métodos auxiliares, como o rebatimento do plano de perfil, de modo a obter a verdadeira forma da circunferência. A partir daí, selecionam-se vários pontos do círculo, determinam-se as suas sombras e, finalmente, constrói-se a elipse correspondente em cada plano, assegurando uma representação rigorosa da sombra.